Tuesday, November 21, 2006

um pouco de Legendary Pink Dots...

I Love You in Your Tragic Beauty

I watched you in your tragic beauty walk beneath my window.Eyes aimed high, but unfocused . . . . sure, you never noticed me.You always wore the same dress; always bore the same expression: "It's a loveless world so what's the point of looking?Let it be . . ." I considered throwing roses--thought I'd maybe wave a flag. Had to try and force some small connection--but, there's a snag. It's my confession that I watch you in my tragic isolation. In my fear . . . that's the way it's beenfor years. That's the way it will always be . . .


beautiful isnt it???

Thursday, November 16, 2006

für dich! ( so fern...)

na incomensuridão de noite escura,
meu suspensamento com você está.
mas sabendo eu sei que seu pensante-ente,
comigo em mim não anda está, e o que sobra de tudo que foi isso, é uma saudade gigantimensa - que me deixa envelhecido e no mais velho ainda fico.

Monday, October 16, 2006

Gepeto e Pinóquio

- Calma! Não se esforce demais. Ainda estã fraco e em fase de se aptar aqui.
Disse uma enfermeira bondosa de olhar candido à um paciente que havia chegado ao hospital a pouco menos de duas horas.
- Mas onde eu estou? Eu me lembro de cenas esparsas. Um barulho e uma batida forte. Eu estava com um amigo indo para algum lugar...não me lembro qual. Tudo ainda é confuso!! Onde estou eu ?
Era muito visível o abatimento de um dos mais novos pacientes deste hospital. Nossa cara enfermeira a tudo resolvia com a mais branda e calma das atenções. Sem alarde e sem notícias que poderiam deixar ainda mais excitado o nosso paciente, ela tomava as devidas providencias para este paciente, sem contudo esquecer outros mais e tambem nao olvidando a ajuda a tantos outros enfermeiros e enfermeiras.
- Sim - disse ela com atenção - você realmente sofreu um acidente, mas isso não vale a pena mencionar.Tudo agora ja está sendo resolvido e não há com o que se preocupar. Se preocupe antes com seu reestabelecimento e tudo o mais depois lhe será dito, conforme os dias se seguirem.
E assim se seguiu o primeiro contato entre o nosso recém chegado e a dita enfermeira.
Passados uma semana de sete dias desta narração, um incidente que nada tem de espantoso, para os enfermeiros, ocorreu com o nosso paciente. Ele estava deitado como de costume e começou a reparar que tudo ali era muito limpo, um asseio assaz ferrenho e todos os enfermeiros tinham um semblante de muita calma onde isso ajudava na recuperação dos muitos pacientes que entre seus corredores andavam. Começou a sentir uma estranha sensação de solidão, apesar do excelente tratamento a que era ali submetido. Era estranho, mas já havia visto muitas pessoas e se deu conta de que ainda não recebera nenhuma visita - seja de parentes ou de amigos. E isso o deixou deveras alarmado e então disse a si mesmo que na próxima oportunidade - que não tardaria - iria perguntar a enfermeira tudo aquilo que lhe causava espanto e estranheza.
- Nosso asseio é assaz ferrenho mesmo e nossos enfermeiros são constantemente habilitados para que não deixem baixas emoções transparecem em seus semblantes. Emoções como tristeza, apatia e afins, não seriam salutares para o bom funcionamento e relacionamento, tanto entre enfermeiros como entre pacientes. O que você sente aqui é a mais pura expressão de cooperação mútua para que tudo corra na maior paz e calma possíveis, sem que com issso o serviço seja prejudicado.
- Mas e meus familiares e amigos, onde estão que não os vi até agora? - Indagou nosso paciente um tanto quanto excitado.
- Tudo no seu tempo. Você não foi esquecido e existem pessoas aqui que nos ajudam nos vários afazeres que já fizeram parte de sua familia"
Isso foi como um choque para o nosso assaz excitado paciente. Não atinava com essas idéias e sua curiosidade raiava á loucura.
Passadas vinte e quatros horas desse nosso diálogo, entre enfermeira e paciente, entra no quarto do nosso paciente inquieto, um enfermeiro com expressão séria e um tanto carrancuda, mas denotando nos olhos profundo conhecimento de sua profissão, e foi logo dizendo :
- Ola, como tem passado? Espero que bem! Bom, estou aqui hoje em substituição a nossa querida enfermeira-mor e espero que isso não seja de todo ruim para você!
-Não! De modo algum! Mas onde ela se foi ?
-Ahhhh!! Ela foi em busca de uma pessoa que lhe fará uma visita ao qual acreditamos será muito salutar para a seu completo reestabelecimento.
-Minha mãe?? - Perguntou sem titubear nosso paciente!
-Não, não!! Sua mãe ainda se encontra em plano carnal e recebemos dela, desde de que você aqui está, boas vibrações em forma de preces e energias para um logo reestabelecimento.
-Plano carnal! O que é isso?
Nesse exato momento então a porta se abre bem devagar e surge a figura de um velhinho todo sorrisos e doçura, seguido pela enfermeira-mor.
-Mas vejo então que você já está em ótimas condições.
Essa entrada quase que fez nosso paciente desfalecer por alguns segundos, mas logo ele estava acordado e com uma feição de completa felicidade.
-Vovô!!!!! Mas como??? Eu o vi no hospital e logo então me disseram que você tinha partido!!!! É tudo isso um sonho, uma brincadeira de mau gosto???
-Não meu filho!! Não há brincadeiras aqui desse tipo. Todos trabalham e estudam e são felizes pelo trabalho que fazem e pelo bem que podem fazer, e pelas boas energias que enviam a seus entes queridos na Terra!
-Terra??????!!!!!!!!!!!!
-Sim, a Terra!! Nossa querida escola abençoada que tantos de nós desprezamos com a nossa mesquinhez, e vejo meu filho que temos quase que a eternidade inteira para conversar. Não apressemos as coisas que tudo virá a seu tempo !
E dizendo isso, nosso enfermeiro e nossa enfermeira, conduziram paciente e visitante para uma lugar de esplêndida luz, com uma paisagem exuberante, que lembrava um bosque onde neto e avô costumavam passear.

Sunday, October 08, 2006

Drei Geschichte

- Elba!!! Pelo amor de Santa Helena, é esse o lugar que você escolheu para as nossas férias??!!!
( disse Napoleão para sua digníssima esposa...)


- Ariadne, tome cuidado com o fio!!!!!!!!!!!!!!
( Muito nervosa, a mãe de Ariadne ralhou com a filha, pois era a décima vez q a mesma tropeçava no fio do telefone...)

- Ulisses do céu, olha quanta sereia nessa praia ????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
( Felicissímo, o fiel companheiro de Ulisses exclama mais uma de suas pérolas...)

Saturday, June 24, 2006

O homem que nunca ficou doente.

Ele tinha 43 anos e pelo que falam dele - não para ele, porque ele não era de muito falar - nunca o viram ir a um hospital, ou nunca ir a farmácia comprar uma aspirina sequer. Nunca ningúem o viu com uma cara doente ou com uma feição desagradável. Era sempre a mesma face sóbria, porém dura e branca como cera.
Sempre acordava cedo e fazia la suas coisas na sua casa, mas logo saia.
E quando o viam, ja era quase noite feira, e ele com sua cara de cera e de pouco falar com as outras pessoas - somente um leve aceno de cabeça para que soubessem que ele os conhecia a todo.
Era conhecido como o homem que nunca ficou doente.
Um dia como de costume, acordou cedo, fez lá suas coisas e saiu a andar. Mas notou algo estranho no ar - algo que não conseguiu identificar. Não se importou com aquilo e saiu, para as andanças costumeiras.
Mas nesse dia resolveu fazer um caminho diferente. Cortando ali por aquela rua, indo em direção aquela outra, atravessando praças e outros lugares descampados, saiu num lugar pouco movimentado, mas que tinham lá algumas pessoas a andarem.
Então morro abaixo, começou a andar.
Após uns dez minutos de morro abaixo, indo sempre mais rápido que outras pessoas, viu uma pessoa subitamente cair na sua frente. De imediato não se deu muito com aquilo, achando que fora apenas um tropeço e anda mais. Mas vendo que a pessoa a sua frente, fazia movimentos poucos usuais e ainda estava caída no chão, resolveu parar e tentar alguma ajuda.
Viu um rosto pálido de olhos abertos, mas parecendo não ver nada nem ningúem e tendo lá suas contorções. Chegou-se bem perto e ouviu um leve murmúrio: "... por favor, me leve pro hospital..". Ele todo sem jeito e olhando pros lados na vã esperança de ver algúem que pudesse tomar conta daquele caso, pegou a moça nos braços e po-se a caminho do hospital.
Andando com a moça entre os braços, ficou a pensar no que se sera logo de manhã. Aquele algo no ar que não conseguiu identificar. Talvez fosse aquilo, ou algo da sua cabeça.
Foi olhando a moça e suas feições e então aquele algo no ar ficou claro.
Levou ao hospital e ´lá soube que era uma paciente que tinha as vezes uns surtos de sumir e voltar, mas que nunca antes tinha ela caído assim.
Se condoeu tanto da pobre moça - que não tinha parentes e foi deixada ali prar ser tratada, por não se sabe quem - foi o que lhe disseram.
Entã foi-se embora um tanto mais cedo do que de costume.
Mas aquilo ficou tanto na sua cabeça que resolveu voltar ao hospital pra fazer uma visita.
Lá chegando disseram que a moça não estava muito boa, e que ele por não um parente dela, não poderia ir fazer uma visita. Insistiu tanto que apenas se cansou, mas nada conseguiu.
E ficou ali então a pensar e não se reconhecer.
Voltou pra casa e ficou lá a pensar e a olhar a janela.
Passando alguns dias e ainda estando a moça no mesmo estado, teve um estalo dentro da sua cabeça. Soube ser isso uma loucura tremenda, mas iria levar isso a todo custo, pois sua vida era tão banal e tão sem afeto que nada se desse, pelo menos ele iria rir daquele loucura mais tarde.
Com um tiro num lugar que saberia que não seria fatal, foi conduzido ao hospital as pressas. Chegando disse que fora vitima de um assalto, mas que nao queria dar queixa de nada. Ficou então no hospital e pode procurar o quarto da moça que salvara quando caira na rua.
E então a viu e ficou feliz e alegre - embora seu estado não fosse dos melhores.
Falou com ela, mas ela acenou apenas um leve movimento de cabeça. E ele então passou a ficar ali o tempo todo, a cada novo dia inventando algo pra ficar junto dela.
E esse foi então o algo no ar em que agora identificara com clareza - que aconteceria algo muito inusitado e seria tão absurdo que ele nao acreditaria no que iria fazer, só pra estar junto da moça, que nem mesmo sabia o nome.
E esta foi a história do homem que nunca ficou doente - que a partir do instante que a ajudou, desejou ardentemente, ficar doente. Só para estar do lado dela.

Thursday, June 22, 2006

Miúdinha e a paisagem sempre verde

Pobrezinha!
Sempre a estar ali a olhar. Sempre de olhos brilhantes, quase a chorar. Sempre sua respiração ali embaçando a vidraça de sua janela. Sempre ali, pobrezinha.
Miúdinha era bem miúda. Com cabelos bem pretos, olhos pretos mas uma pele tão branca que sempre se podia ver sua veias quando ela arfava seu pescoço procurando algo.
O que se sabia dela era que vivia ali a olhar, com seus avós idosos. E havia outra pessoa que sempre a visitava, dando vezes sem conta, presentes, chocolate, guloseimas sem conta. E ela, coitadinha, pobrezinha sempre ali a olhar. Calma.Pensativa - mas ningúem sabia o que pensava, nem se mesmo pensava em algo.
Mas acontecia de as vezes ela dizer uns disparates, quase que absurdos. Uma vez disse que queria - mas um dizer ao vento - que queria ver uma flor que vira quando em sonhos numa noite de frio. Mas ningúem nunca havia sabido dessa flor nem mesmo se ela existia.
E não é que no outro dia, bateram a porta e trouxeram para casa um enorme vaso da flor que ela reconheceu sendo a flor dos sonhos. Ningúem dei muito crédito. Mas mesmo assim fizeram de conta que era mesmo a flor dos sonhos dela - mas somente ela acreditou nisso.
E os dias se passaram e as noites frias vieram e ela ali a olhar com seu olho brilhante, mirando a neve - acontecia de as vezes nevar.
Uma vez então se deu a visita da outra pessoa que sempre trazia presentes pra ela. E levou então um belo quadro com uma paisagem verde, que ela muito gostou. Gostou tanto que disse um de seus disparates para a moça e esta então ralhou com ela, pondo- a de castigo e não falando com ela durante o dia todo.
E Miúdinha, como que por enquando, caiu com febre e aos delirios. Abria os olhos febris e perguntava quem era aquele que ali se encontrava perto de porta - mas ningúem perto da porta estava - e tomavam então por coisa de delirio.
E tanto ficou febril que numa noite em que parecia de um frio sofrido e estrelas tristes, ela se foi.
Avós então quase se mudaram de onde moravam, devido a tantas lembranças que dela tinham e a moça dos presentes, parecia ser a mais entristecida de todas. Parece que ela tinha um segredo e resolveu dizer-lhes - aos avós.
Quando ela deu aquele quadro para Miúdinha, todo de paisagem verde e ensolarada, ela, Miúdinha disse que quando chegasse sua hora, a hora em que iria visitar seus amigos das estrelas, queria ser enterrada num lugar como aquele do quadro - verde, vivo, claro, com sol e tudo muito calmo e belo.
E todos então mais contritos ainda ficaram. Não fariam por que não fariam a vontade dela, porque achavam quer seria como que agradecendo por ela ter ido assim tão pequenina e cedo.
Mas a moça dos presentes, disse que sim, que deveriam fazer isso. E tanto brilho tinha em seus olhos, que não ousaram discordar dela.
E então tudo se deu.
Num dia calmo, de sol, num lugar verde e belo, ela foi enterrada.
E junto dela seu quadro de paisagem verde, calmo e belo. Não queriam ter a lembrança do quadro - era como se fosse o agouro da tão curta vida de Míudinha.

Monday, June 19, 2006

O Homem que Não mais dormiu

Um dia ele chegou em casa apressado e correu ao banheiro. Olhou no espelho e viu a mesma cara de sempre - envelhecida e com profundas olheiras. Abriu a torneira da piasinha e lavou o rosto - hábito um tanto frenético que as vezes se repetia até ENE vezes ao dia. Pegou a toalha e enxugou seu rosto; abriu a boca e viu seus dentes amarelados por causa do café - cigarros ele não gostava.
Saiu do banheiro não tão apressado como quando entrou e foi até a cozinha e fez um rápido café com leite - dentes amarelos. Tomou seu zilionesima café, trocou de roupa sem tomar banho e pegou um livro de 1000 páginas que estava tentando ler - mas se fosse um livro de 50 páginas, iria tentar ler do mesmo jeito, pois estava tentando criar o hábito da leitura.
E então adormeceu quando o livro sobre sua barriga.
Acordou com seu proprio ronco e se assustou tanto que seu coração disparou como que ladeira abaixo e entao se deu.
Sentiu-se tão cansado e tão desanimado e tão iludido e tão desiludido com sua atual condição que chorou como uma criança e lembrou dos tempos em que se sentia assim e era uma criança boba e chorava tanto no colo da sua mãe tendo as mesmas desesperanças fora de época, que se assustou ainda mais.
Tentou dormir e não conseguiu. Tomou umas pilulas que encontrou para tentar ao menos relaxar, mas foi tão patético e desengonçado que teve nausea de vomito até o amanhecer e não foi ao trabalho, onde lá estavam acostumados com esses sumiços repentinos dele.
Ficou o dia todo amodorrado e sem vontade, tentando descansar fechando os olhos. Mas vinham imagens tão inverossimeis por detrás de suas palpebras fechadas que exclamou : " quem me dera nunca mais dormir.."
No décima dia do mesmo mês que faltou ao trabalho ainda estava tendo as mesmas imagens inverossimeis com os olhos fechados, só que desta vez, implorando por pelo menos uns dez minutos de sono.